Liberdade comprimida, por Nuno Cardoso Dias (jornal w)

Laura Dekker. Ouviu falar dela? É uma miúda holandesa de 14 anos. Óptima velejadora. Quer dar a volta ao mundo em solitário. Os pais apoiam. Os tribunais holandeses não a deixam partir. Argumentos: falta de garantias da sua segurança e desenvolvimento "social-emocional", e muitas dúvidas sobre as modalidades de ensino escolar.


Eu, que de vela não percebo nada, tenho exactamente os mesmos argumentos para não querer que os meus filhos sejam sujeitos a um modelo público de educação sexual.

 

Comecemos pela falta de garantias de segurança. A realidade é que há mais de vinte e cinco anos que o Ministério da Educação anda com a educação sexual nas mãos sem saber o que lhe há-de fazer. Há cinco anos atrás o Expresso mostrou que alguns manuais escolares, elaborados em consonância com as novas orientações dos Ministérios da Educação e da Saúde, propõem aos professores exercícios claramente desadequados (1). A controvérsia gerada foi tal que Maria de Lurdes Rodrigues, então Ministra da Educação, mandou reavaliar o material em causa. Mas ele aí está novamente, em kit, e segundo o jornal i prepara-se para ser utilizado em 70% das escolas portuguesas.
 
Este modelo não me oferece, portanto, quaisquer garantias de segurança. Não foi discutido, não foi testado, é atirado para as escolas e elas que façam e que decidam. Os miúdos a quem for aplicado serão meros ratos de laboratório nas mãos de um Ministério e de Escolas completamente desnorteados.
 
Avancemos para a falta de garantias de desenvolvimento socio-emocional. Os kits em causa promovem e propõem não apenas a masturbação e a adopção precoce de comportamentos sexuais tanto heterossexuais como homossexuais. Uma das propostas de actividade em sala é que uma criança seja vendada e tocada pelos colegas em diferentes partes do corpo. Trata-se de uma actividade proposta para o 1º ciclo (2).
 
Para quem quer prevenir doenças sexualmente transmissíveis e gravidez na adolescência, este modelo falha redondamente o alvo e contribui activamente para os efeitos que queria prevenir. Mais do que ser inadequado e ineficaz, este modelo tem eficácia negativa, promovendo comportamentos de risco.  Há outros modelos: veja-se o Programa PTC – Protege o teu coração, sob o lema educar o carácter, educar para amar (3). Cabe também aos pais, enquanto participantes na definição do projecto escolar de educação sexual, chamar a atenção para as alternativas e a sua opção.
 
Tenho também fundadas dúvidas sobre a modalidade de ensino escolar. Temos uma escola que falha redondamente na transmissão de conhecimento puro e simples, incontroverso, como é o caso do português ou da matemática. Não há razões para esperar que faça melhor numa matéria tão sensível como esta. E aqui a falha é muito mais grave: antes ter negativa num teste de matemática que ter positivo num teste da SIDA ou num teste de gravidez, fora do tempo e da relação adequados.
Por tudo isto, porque a educação sexual obrigatória é um barco sem norte, que não só é repleto de furos como tem agentes a trazerem água para dentro do barco a balde, neste barco eu não entro, e não quero os meus filhos nessa viagem.
 
Para escolher não ter educação sexual, os pais devem estar atentos acompanhar a situação e declará-lo expressamente. A Plataforma Resistência Nacional tem um modelo de carta que poderá utilizar (4). Não é um modelo único, se quiser optar por outro é livre de o fazer.
 
E é mesmo isto. É de liberdade que falamos. Da liberdade de ter um projecto de vida e uma educação preparada e orientada com a nossa família, sem que o Estado nos imponha determinados comportamentos, determinadas mentalidades e determinadas éticas, quaisquer que elas sejam. Eu, que não percebo nada de vela, que preferia que os meus filhos nunca tivessem o projecto que Laura Dekker tem, continuo a achar mesmo assim, que é uma violência que o Estado holandês se imponha desta forma na sua vida, como acho que é uma violência que o Estado Português nos queira impor um modelo de ética sexual.
 
 
(2)http://www.move.com.pt/Noticias/2010/Junho/7Ed.Sexual%20APF%20kit%201%C2%BACiclo%20(apalp%C3%B5es).pdf
 
 
(4)http://www.plataforma-rn.org/site/images/files_rn/para_divulgacao/CARTA_ESCOLA.doc
 
 
 

Uma questão de educação

por JOÃO CÉSAR DAS NEVES

 

Ler mais...
 

PERGUNTA ÀS ESCOLAS...

Ler mais...
 

As 10 perguntas (ainda) sem resposta

Ler mais...
 

"CARTA ABERTA AOS PAIS PORTUGUESES" (WILLIAM Coulson)

Carta publicado no jornal Expresso de 28 de Maio de 2005.

Ler mais...
 

Carolina do Norte (EUA), aprova lei de educação sexual…

Ler mais...
 

Videos em destaque

Newsletter





Aguardamos há

PRESIDÊNCIA DO
CONSELHO DE
MINISTROS

41 dias, 07:47:01 horas

resposta ao fax enviado ao Sr. Primeiro Ministro 

EX-PRESIDENTES
DA REPÚBLICA 

41 dias, 07:47:01 horas
resposta ao fax enviado ao Dr. Jorge Sampaio
 
03 dias, 09:18:41 horas
resposta ao fax enviado ao Dr. Mário Soares
 
03 dias, 09:18:41 horas
resposta à carta enviada ao Gen. Ramalho Eanes

Episódio para lamentar

XVII Governo constitucional

(Relogios Parados
26-10-2009)


presidência do
conselho de
ministros

95 dias, 00:01:00 horas

- 2009/07/23
Fax enviado ao Sr. Primeiro Ministro

 


 

Ministério da Saúde

129 dias, 00:01:00 horas

- 2009/08/21
Comunicado emitido

- 2009/07/09
Resposta recebido

- 2009/06/19
Fax enviado à Srª Ministra da Saúde


 

Ministério da
EDUCAÇAO

95 dias, 00:01:00 horas

- 2009/07/23
Fax enviado à Srª Ministra da Educação

Episódio para lamentar

X Legislatura

(Relogios Parados
26-10-2009)
 

Assembleia da
Republica

142 dias, 00:01:00 horas

- 2009/06/05
Fax enviado ao Sr. Presidente da Assembleia da República

- 2009/06/24
Fax Recebido

- 2009/06/29
Email ( Nota Técnica Anexa ) Recebido

- 2009/07/02
Fax Enviado

- 2009/07/02
Comunicado Emitido

- 2009/07/06
Fax Recebido

- 2009/07/14
Email recebido


DEPUTADOS

111 dias, 00:01:00 horas

- 2009/06/05
Carta enviada ao deputado Manuel Alegre