Carta aberta ao Secretário de Estado Adjunto e da Educação

Carta aberta ao Secretário de Estado Adjunto e da Educação

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Exmo. Senhor
Secretário de Estado Adjunto e da Educação

No que se refere à não participação dos meus filhos na disciplina de “Cidadania e Desenvolvimento”, considerando os comentários, públicos, que proferiu na Assembleia da República sobre o caso, queira considerar:

Mas o que é que o inquieta?

Quanto à forma como educamos os nossos filhos!

A alegria dos meus filhos?

A vontade de aprenderem, sem necessidade de imposição de quem quer que seja e de serem alunos empenhados e interessados?

Preocupa-se porque são capazes de fazer os trabalhos de casa da escola sem necessidade de “muletas”?

Pelo facto de terem uma participação activa na sociedade do sítio onde vivemos?

Pelo facto de serem desenrascados?

Por gostarem de música e saberem de música?

Por serem estimados pelos professores e colegas da escola?

Por gostarem de conviver e passar bons momentos com os amigos?

Por gostarem de viajar e conhecer o mundo?

Por gostarem, em noites de verão, de dormir ao relento para contemplar o céu e saborear a frescura da brisa?

Porque gostam de estar ao pé dos outros, quando eles mais necessitam?

Porque igualmente gostam de receber a amizade dos amigos quando atravessam dificuldades?

Porque gostam de viver a vida?

Ou tem razões para afirmar o contrário em relação às questões que acima lhe coloco?

E, ainda que tivesse, alguém se meteu consigo no que se refere à educação dos seus filhos? Mesmo que tivesse delegado a educação dos seus filhos a outrem, não foi por opção sua, mesmo que o tenha feito de forma mais ao menos inconsciente?

Não considera que a família é a célula primária da vida social?

Não lhe parece que a autoridade, a estabilidade e a vida de relações no seio da família constituem os fundamentos da liberdade, da segurança, da fraternidade no seio da sociedade?

Não lhe parece que, mesmo quando as famílias não estejam em condições de desempenhar as suas funções e tenham de ser ajudadas, deve ser acautelado que não lhes sejam usurpados os seus poderes e, igualmente, que ninguém se imiscua nas suas vidas?

Ou terá um percepção da sociedade diferente da minha?

Quanto à reposição da legalidade!

Ficou surpreendido por eu não renunciar aos direitos que a Constituição e as leis da República me reconhecem?

Mas está convencido que eu vou delegar a educação dos meus filhos em mãos alheias?

Não lhe parece que o poder que lhe é atribuído pela Constituição da República é para estar ao serviço do povo e não para usar esse poder com fins intimidatórios?

Não lhe parece que a missão para a qual foi indigitado se destina a garantir e dar condições para que ninguém fique para trás e não a impor as suas convicções a outrem?

Em conclusão!

Sabe o que é a Liberdade?

Sabe o que é a Democracia?

Poderá explicar a razão deste conflito, no que se refere ao que se está a passar com a escola dos meus filhos?

Pois bem, o que eu lhe desejo é que seja feliz!

Brufe VNF, 27 de Julho de 2020


Artur Mesquita Guimarães



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A indigência
 
Pelos vistos, existe uma “disciplina” escolar, ou uma gosma que infecta várias disciplinas, chamada Cidadania e Desenvolvimento. Trata-se de um pretexto para enfiar babugem “correcta” na cabeça dos fedelhos, carecidos de informação válida sobre a transsexualidade ou as alterações climáticas. Acho fantástico. De alto a baixo, estes projectos envolvem inúmeras criaturas a concebê-los e a aplicá-los, pelo que são uma prova de que indivíduos com limitações mentais podem ter empregos quase comuns. Em Famalicão, um cidadão sem limitações dessas não apreciou que os filhos fossem sujeitos à babugem e impediu-os de frequentar as aulas de Cidadania. O Ministério da Educação puniu a afronta e rebaixou em dois anos os alunos, ambos excelentes nas disciplinas a sério. Óptimo. Em qualquer dos casos, os miúdos farão carreiras em países livres e habitáveis. E o exemplo que têm em casa é um justo enxovalho aos portugueses que toleram tudo, incluindo o rapto dos filhos por um Estado particularmente criminoso, brutal e iletrado.

https://observador.pt/opiniao/as-sete-maravilhas-naturais-de-portugal/