Carta Aberta a Maria João Marques

Carta Aberta a Maria João Marques

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Prezada Maria João Marques

A propósito do seu artigo no Público, no passado dia 29 de Julho.

De facto, os meus dois filhos mais novos, o Tiago e o Rafael, por princípio, não frequentam a disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, nem qualquer aula, acção, aconselhamento relacionados com a educação sexual e, em particular, o programa PRESSE na escola. Quanto aos outros meus quatro filhos, já se encontram em patamares de ensino em que o assunto já não se coloca da mesma forma.

A questão remonta já ao ano lectivo 2008/2009, quando o Ministério da Educação, pelas mãos do PS, quis invadir as nossas casas, em jeito autoritário, ao imiscuir-se na educação dos nossos filhos com o propósito de mera promoção ideológica, ao tentar impor através da escola a educação sexual obrigatória.

Agora, no ano lectivo 2018/2019, e da mesma forma pelas mãos do PS (Geringonça), sem complacências, tem a tentação de expropriar mesmo as competências educativas aos pais, com a recentemente criada disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, inserindo-a no currículo escolar, no regime de carácter obrigatório, com o mesmo propósito de promoção ideológica.

Por isso, no início de cada ano lectivo, já desde 2008/2009, sistematicamente, damos indicação à escola de que não autorizamos a participação dos nossos filhos nas referidas aulas…

Ao ler o seu artigo no Público, publicado no passado dia 29 de Julho, aparentemente, considerando apenas o título do artigo, julguei que seriam mais as razões de concordância consigo do que as de discordância!

Pois bem, ao inalar o bafio que resulta da leitura do seu artigo, dei-me conta de que nem sequer traz nada de novo e criativo no seu conteúdo à discussão, senão apenas a intenção de desenterrar um machado de guerra, talvez por se sentir perdida nas suas crenças ideológicas sobre temas como o racismo (assunto este que não motiva a minha abordagem), a fornicação, o adultério, a impureza, a luxúria, as orgias, as invejas, os ciúmes, a sodomia, a libertinagem e a violência doméstica (para não deixar de tocar neste tema e já agora para apimentar um pouco mais a nossa conversa) de que destaco os supremos crimes do aborto e da eutanásia, assuntos estes mais que tratados ao longo dos séculos, embora de facto, ora com avanços ora com recuos nas soluções sensatas para a sua resolução ao nível da sociedade.

No entanto, como já por diversas vezes tive a oportunidade de referir, em especial a quem de direito, o assunto não se prende apenas e só com as matérias acima referidas, mas, praticamente, com todas as demais incluídas na disciplina e, acima de tudo, com o seu carácter obrigatório.

Agora, verifico que nada percebeu do que se está a passar com a escola dos meus filhos!

Então, no exercício dos direitos que a Constituição e as Leis da República nos conferem, eu e a minha esposa, não renunciamos ao direito e dever que temos de educar os nossos filhos, ao que a escola, por imposição do Ministério da Educação, respondeu: ou vós vos calais, ou, já que não podemos actuar sobre vós, prejudicamos os vossos filhos! Sentença das sentenças!…

Parece-lhe sensato? Pela parte que nos diz respeito, estamos prontos para garantir a defesa da nossa liberdade até ao limite, pelo superior bem e interesse dos nossos filhos.

É que nem sequer está em causa o desempenho escolar e as qualidades cívicas dos nossos filhos, aliás, reconhecidos no próprio despacho emitido pelo Secretário de Estado, Dr. João Costa. Ao que parece, é mesmo como alguém dizia: “se não gostas do PS, chumbas”!

Multiculturalidade?! Não, não está esquecido. Nesta matéria, nem preciso de sair de casa e peço meças.

Sabe, em 2012, na revista Sábado, foi publicada uma reportagem intitulada “Uma família XXL – Sofia & Francisco Mesquita Guimarães” (meus avós), que dava conta de que, à altura, como hoje, os Mesquita Guimarães, se contam às centenas, com origem em Vila Nova de Famalicão, mas espalhados pelos quatro cantos do mundo. Orgulhamo-nos de a nossa família contar com pessoas de cores de pele diversas, oriundas de diferentes povos, e de convicções díspares, sendo que, para um Mesquita Guimarães, seja ele de parente natural ou não, é tão importante como o ar que respira, poder participar num dos encontros de família que vão ocorrendo a cada passo, pelo menos uma vez na vida.

Mesmo a terminar, tomo a liberdade de lhe sugerir: escreva, continue a escrever, deixe correr a pena! Mas sugiro-lhe: fale de si, ou então não fale do que não sabe nem conhece.

Aceite os meus melhores cumprimentos,

Artur Mesquita Guimarães