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“A ideologia de género não existe” (afirmam os seus ideólogos)

A ideologia de género existe e podemos prova-lo não só com uma imensa quantidade de livros e manuais escolares, mas também, e infelizmente, com a quantidade de vidas que esta ideologia está a destruir.

Não faltam artigos e vídeos de activistas, que nos entram em casa através internet e dos media em geral, a tentar convencer os leitores/ouvintes de que a ideologia de género não existe e que é uma invenção de religiosos fanáticos e de lgbtetcfóbicos. Com isso, essas pessoas, cujo objectivo é manter o povo na ignorância acerca dos seus intentos, pretendem manipular a opinião pública no que ao lóbi diz respeito.

Mas, apesar daqueles que denunciam a ideologia de género – que não só existe como tem sido uma trágedia onde tem sido imposta – não terem espaço nos mass media e serem acusados de todos os “istas” e “fóbicos”, inventados para usar no lugar das pedras, há cada vez mais famílias a despertar para o fenómeno importado dos EUA e a procurar a verdade dos factos. Infelizmente, muitas famílias só têm despertado porque os filhos lhes entraram em casa confusos, cheios de dúvidas em relação a si mesmos e à sua sexualidade, e a proclamarem-se lgbtetc.

É para pais como esses e para todos aqueles que lerão este artigo – e que correm o risco de ver os filhos chegar a casa confusos e doentes – que, através de quatro afirmações dos lobistas, pretendo provar que a ideologia de género não só existe, como está a ser-nos enfiada goela abaixo na escola, nos media, nas redes sociais na moda, nas ruas e até… em universidades, nos escuteiros e nas igrejas. De facto, a artificialidade de uma ideologia só se consegue impor desta forma.

1 “A ideologia de género é um termo que se utiliza de maneira pejorativa, para desestimular a diversidade sexual e de género.”

Aqui, a pergunta é: A que se referem quando falam de “género” e “diversidade sexual”?

Comecemos pelo “género”, que nada mais é do que uma teoria que inventa a noção de “identidade de género” e separa-a da realidade e da dimensão biológica da pessoa, que se manifesta sempre como um sexo determinado (e, muito raramente, com uma deficiência genética conhecida como “hermafroditismo”). Essa ideologia, então, produz uma separação da realidade e da dimensão biológica/genética da pessoa e da sua própria consideração pessoal e social. Para a ideologia, não importa a realidade, mas sim o que cada um sente sobre si mesmo, ou o que é levado a sentir depois de ser bombardeado com a ideologia. Paradoxalmente, a teoria necessita de aprovação social para atingir os seus intentos. Daí, o elemento totalitário que acompanha esta ideologia e que exige o reconhecimento social para poder construir a tal “identidade de género”. Por exemplo, se uma pessoa se auto-percebe como um cão, não lhe basta dizer que é um cão. Ela exige que todas as pessoas ao seu redor a reconheçam como um cão.

Por outro lado, o termo “diversidade sexual” refere-se às diferentes práticas sexuais que se pretendem normalizar e legalizar, incluindo práticas que os manuais de psiquiatria consideram como parafilias, ou seja: práticas sexuais que são sintoma de graves transtornos psicológicos e que precisam de tratamento, e até práticas sexuais criminosas como a pedofilia (visite o site da NAMBLA) ou o incesto.

2 “Denominam-na ‘ideologia’ porque pressupõem que as ideias de igualdade, empoderamento, identidade e sexualidade são verdades indiscutíveis.”

Como é que é? Quem escreveu isso devia voltar à escola do meu tempo e fazer muitas redacções, porque, honestamente, o texto está muito confuso. Vejamos:

Não lhe chamamos ideologia de género, porque pressupomos que estas ideias são verdades indiscutíveis. Chamamos-lhe ideologia de género, porque é um conjunto de ideias contraditórias, disfarçadas de ciência (social, pois claro!) ou filosofia, que, de um modo absolutamente simplista, se propõe explicar a complexidade da realidade de pessoas, que, devido a diversos transtornos de identidade, se auto-percebem de forma errada, sem fundamento na sua realidade genética. Pensemos, por exemplo, naqueles que se auto-percebem como cães, cavalos, gatos,dragões e que, na sua maior parte, antes de se identificarem como animais se haviam identificado como sendo do outro sexo, tomaram hormonas e amputaram partes saudáveis do corpo (o pénis, os testículos, as mamas e os lábios vaginais), mas, como as alterações hormonais e cirúrgicas não trataram o problema mental, elas continuaram a modificar-se e a não se identificar com o “novo corpo”, pois, na verdade, ele só é novo no exterior, na aparência. Basta deixar de tomar hormonas, para que o corpo volte, naturalmente, ao que realmente é.

Os autores da afirmação cometem um erro conceptual muito grave, porque quem de facto pressupõe que a igualdade, o empoderamento, a identidade e a sexualidade são verdades indiscutíveis são os que defendem a teoria do género.

Além disso, a “igualdade” não é uma verdade indiscutível, uma vez que o igualitarismo não tem fundamento na realidade. Ainda que seja verdade o facto de todos os seres humanos partilharem a mesma natureza humana, somos todos diferentes e possuímos uma estrutura genética (ADN) diferente, um corpo que nos distingue uns dos outros, diferentes psicologias, ideias e formas de pensar diferentes. Somos diferentes uns dos outros e cada um tem a sua identidade.

Quanto ao “empoderamento”, é só mais uma palavra sem sentido para os que promovem a ideologia. Nós, seres humanos, não somos como os animais, que se tornam independentes dos pais ao fim de poucas semanas ou meses após o nascimento. Pelo contrário, precisamos de uma família que nos eduque e guie ao longo de muitos anos, até que todas as funções do nosso cérebro estejam em pleno funcionamento, algo que não acontece antes dos 18 anos, e, se tivermos em conta a maturidade para tomar decisões, os 25 anos.

Quanto à “sexualidade”, cada um de nós está determinado geneticamente – desde o momento da concepção – ao sexo masculino ou feminino. A genética já demonstrou que cada uma das nossas células tem uma identidade sexual determinada e que não há como mudá-la. O grande erro, que tem sido repetido incessantemente, é o de que uma pessoa é homossexual ou transsexual por ter um cérebro diferente, possivelmente influenciado por hormonas do sexo oposto durante a gravidez. Ora, a neurobiologia já desmentiu isto de forma categórica. A diversidade celular já existia antes de qualquer influência hormonal e ela é muito mais profunda, pois tem que ver com o sexo genético de cada célula.

Sim, a diversidade sexual existe, mas está condicionada pela estrutura genética do homem ou da mulher. Não há outra opção, pois todos nós somos concebidos como homem ou mulher – diversidade dual, somente. Se assim não fosse, não existiríamos. Não há forma de uma mulher se transformar num homem ou de um homem se transformar numa mulher, pois, para isso, seria preciso mudar cada uma das suas células. Tudo o que é contrário a isto é pura ilusão.

3 “Rejeitam-se os movimentos feministas e lgbt+ argumentando que vão contra a natureza e a família e que põem em perigo a ordem social estabelecida.”

Os activistas nunca dizem a verdade. Não são os textos dos representantes dos movimentos feministas e lgbt+ que afirmam explicitamente que estão contra a natureza e a família?

Sim. Quem afirma, com todas as letras, que o movimento lgbtetc. quer acabar com a família é Amanda Palha, travesti, bissexual, mãe, feminista, anticapitalista, educadora popular e especialista em estudos de género e da família, considerada uma das mais importantes vozes do activismo transvestigênere (seja lá o que isso for) no Brasil, e que, no dia 19 de Janeiro de 2022, esteve na Universidade de Coimbra, on-line, a explicar aos jovens estudantes «Porque é que a família DEVE ACABAR.”

Sim. Estes ideólogos e os seus movimentos põem em perigo a ordem social estabelecida. É o que afirmam inúmeros textos lgbt+ e feministas. A “Revolução Feminista Socialista” está em curso, e não sou eu que o digo, mas sim Shulamith Firestone, feminista radical, no livro “A Dialética do Sexo” (1970):

A libertação das mulheres da tirania de sua biologia reprodutiva por todos os meios disponíveis e a ampliação da função reprodutiva e educativa de toda a sociedade globalmente considerada […] estamos a falar de uma mudança radical. Libertar as mulheres da sua biologia significa ameaçar a família, que é a unidade social organizada em torno da reprodução biológica e da sujeição das mulheres ao destino biológico (pág. 185). […] Assim chegaremos à liberdade sexual para que todas as mulheres e crianças possam usar a sua sexualidade como quiserem.[…] Os tabus sexuais com as relações homossexuais ou entre adultos e menores irão desaparecer, assim como as amizades não sexuais […] A mente plenamente sexuada [a mente que só pensa em sexo] tornar-se-ia universal se a criança escolhesse ter relações sexuais com os adultos. E, ainda que escolhesse a sua própria mãe genética, não existiriam razões, a priori, para que esta rejeitasse as suas insinuações sexuais visto que o tabu do incesto teria perdido a sua função. (pág. 215) […] é por isso que precisamos falar de socialismo feminista. Com isso atacamos a família numa frente dupla, contestando aquilo em torno do que ela está organizada: a reprodução das espécies pelas mulheres, e sua consequência, a dependência física das mulheres e das crianças. Eliminar estas condições já seria suficiente para destruir a família, que produz a psicologia do poder. Contudo, nós a destruiremos ainda mais (pág. 237).

Sim, leu bem. O incesto, a pedofilia e a destruição da família são propostas da feminista radical e de muitas teóricas feministas de hoje.

Judith Butler, por exemplo, omnipresente nos guiões de género e cidadania, no seu livro Problemas do Género, não só concorda com Shulamith Firestone no que ao “tabu do incesto” diz respeito, como, citando Monique Wittig, apela à subversão da heterossexualidade:

A regulação binária da sexualidade suprime a multiplicidade subversiva de uma sexualidade que rompe as hegemonias heterossexual, reprodutiva e médico-jurista. Para Wittig, a restrição binária que pesa sobre o sexo atende aos objectivos reprodutivos de um sistema de heterossexualidade compulsória; ela afirma, ocasionalmente, que o derrube da heterossexualidade compulsória irá inaugurar um verdadeiro humanismo da pessoa, livre dos grilhões do sexo […] a lésbica emerge como um terceiro género, prometendo transcender a restrição binária do sexo (Judith Butler, Problemas de género, pág. 47).

Butler, autora da “bíblia” do género, afirma uma espécie de evolucionismo que nega a realidade da natureza humana e que se dá por meio da tecnologia, da hormonização e da amputação de órgãos saudáveis, que serão substituídos por uma simulação do órgão sexual do outro sexo.

Poderia citar inúmeros textos, mas creio que não restam dúvidas de que estes movimentos põem em perigo a ordem social estabelecida.

4 “A ‘ideologia de género’ não existe como categoria dentro das ciências sociais. É uma construção que busca insultar as reivindicações dos direitos das mulheres e da diversidade sexual.”

Este argumento só convence idiotas úteis. As ciências sociais não têm como função estabelecer as teorias do conhecimento da realidade. Isso corresponde à Filosofia.

Sabe quantos conceitos, ou categorias, não existem dentro das ciências sociais sem que alguém discuta a sua validade?

Por exemplo: o conceito da Astrofísica não faz parte das ciências sociais e creio que ninguém contestaria um físico pelos seus conhecimentos.

Além disso, se bem que as ciências sociais estudem aspectos do ser humano relacionados com o comportamento individual e as funções e elementos da organização social, não são ciências (exactas) no sentido concreto da palavra, já que, geralmente, carecem de todos os elementos necessários para julgar definitiva e objectivamente sobre algo. A sua validade depende do nível dos dados e da informação disponível, que podem ir mudando e aprofundando-se cada vez mais. É por isso que as ciências sociais estão cheias de teorias que já foram rejeitadas por não terem fundamento ou por não terem acontecido conforme previam os sociólogos.

Pensemos, por exemplo, no Darwinismo social, teoria amplamente rejeitada hoje em dia, que defendia a falsa hipótese de que todas as culturas se desenvolvem de uma forma similar e passam pelas mesmas etapas. Ou ainda na Teoria Malthusiana, que profetizava que a população cresceria tanto, que, em 1995, faltaria sustento para a sobrevivência da espécie. E, por último, na Teoria Marxista do Materialismo Histórico, segundo a qual a revolução comunista se daria de uma maneira natural nos países mais industrializados, com mercado livre, quando, de facto, o comunismo só se tem vindo a impor pela força, através do assassinato de milhões de pessoas e em sociedades agrárias e sub-desenvolvidas tecnologicamente: Rússia, China (hoje é tecnologicamente desenvolvida, mas não o era quando o comunismo tomou posse), Cuba e Venezuela.

Teorias à parte, o género como noção, sim, estuda-se nas ciências sociais. Aliás, hoje, parece que tudo tem que ser visto sob falsa perspectiva do género. Nas ciências sociais, afirmam os sociólogos, a noção do género é um termo técnico específico que faz referência a um «conjunto de características diferenciadas que cada sociedade atribui a homens e mulheres».

O problema é que há um erro de princípio nesta noção, já que essas características e diferenças não existem, porque são atribuídas e impostas pela sociedade, mas sim porque há um fundamento profundamente biológico, genético, neurobiológico, psicológico e afectivo, que fazem com que o homem e a mulher sejam diferentes. Não se trata de uma construção cultural, mas sim da natureza real do ser humano.

O que dói aos progressistas, quando chamamos ideologia à teoria do género, é o facto de isso apontar para a falta de fundamento objectivo. A teoria do género não é comprovável pelo método científico e não traduz uma versão realista do ser humano. Somos assim, e bem: diferentes.

Assim, denunciar a ideologia não tem nada que ver com «uma construção que busca insultar as reivindicações dos direitos das mulheres e da diversidade sexual», mas sim com uma crítica objectiva a uma teoria que não tem nenhum fundamento na realidade da pessoa humana.

As contradições da ideologia são muitas, mas creio que a contradição mais flagrante é a afirmação de que os genitais não determinam a identidade de uma pessoa. Afinal, se isso fosse verdade, porque é que, quando um homem se auto-percebe como mulher, tem de tomar hormonas do sexo oposto e amputar o pénis e os testículos? (A mesma pergunta vale para as mulheres que se auto-percebem como homens.)

Eu não me refiro a adultos que sofrem de um transtorno da sexualidade (“disforia de género” em linguagem mais recente) e que são livres para fazerem as cirurgias plásticas que quiserem e de tomarem hormonas do outro sexo (até isto aponta claramente para o facto de que só existem dois sexos) até ao fim dos seus dias. Mas, sujeitar crianças à ideologia e defender que estas têm “conhecimento informado” para amputarem partes saudáveis do corpo e ficarem estéreis para toda a vida… É indefensável e criminoso. Um cirurgião que acede em amputar partes saudáveis do corpo de um menor de idade não está a agir no sentido de NUNCA provocar dano aos seus pacientes.

Por tudo isto, quando ouço dizer que a ideologia do género não existe, sei que tudo o que se pretende é evitar um debate sério e verdadeiro.

A ideologia de género existe e é algo que podemos provar, não só com a imensa quantidade de livros e manuais escolares sobre o assunto, mas também, e infelizmente, com a quantidade de vidas que esta ideologia está a destruir.