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O que é a ideologia de género?

Por Maria Helena Costa

De repente, uma menina sente que é um menino e di-lo aos pais, que ficam perplexos e desconcertados porque nunca se tinham apercebido. Se os pais tentam saber mais, para a poderem ajudar, descobrem que a sua filha já tem uma narrativa perfeitamente decorada.

A ‘ideologia de género’ é um conjunto de ideias mistificadoras e falsas que serve para mobilizar politicamente dois lóbis ou grupos (feministas e LGBTetc). É um conjunto de ideias anticientíficas que, com propósitos políticos autoritários, extirpa a sexualidade humana da sua realidade natural e a explica apenas pela cultura. Sexualmente — alegam os seus ideólogos — fomos construídos pelo que nos rodeia. Por isso, somos chamados a desconstruir-nos. E ‘é de pequenino que se torce o pepino’.

Professores e ativistas incutem nas mentes mais frágeis que os ‘estereótipos de género’ são impostos ao indivíduo por uma sociedade patriarcal machista opressora e que é o sexo que depende do género e não o contrário. Por ex.: ‘Se nasceste menina mas gostas de jogar à bola, de vestir roupas mais masculinas e de estar no meio dos rapazes, és de facto um rapaz e deves lutar para que o teu sexo combine com o teu género’. Ainda bem que no meu tempo não havia este ativismo na Escola…

Esta, sim, é uma postura retrógrada que vai buscar os estereótipos mais antigos e obsoletos e os leva a extremos que estão a provocar inúmeros danos a uma geração de crianças que se viram envolvidas nestas ideologias de adultos perversos, que ignoram que o transtorno da sexualidade [‘disforia de género’] é um problema de baixíssima prevalência que se manifesta desde muito cedo. 

No entanto, e após a introdução da ideologia de género nas escolas e a sua generalização nas redes sociais, filmes, séries, coletivos LGBTetc alegam que percentagens bastante altas de adolescentes, com uma incidência cada vez maior nas meninas, estão a descobrir que são realmente meninos pelo simples facto de não se encaixarem naquilo que o ‘estereótipo machista opressor’ espera delas. 

Há uma tentativa clara de transmitir às crianças algo como isto: ‘Se não te conformas com esses estereótipos machistas opressores, és um menino e não sabes disso’. 

A ideologia que está a ser imposta às crianças incentiva-as a fazer a transição. Além disso, os ativistas exigem a ‘abordagem afirmativa’ de pais, professores e profissionais de saúde como única possibilidade de ‘tratar’ esta vaga gigante de ‘disforia de género de início rápido’. 

O que é isso? 

De repente, uma menina sente que é um menino e di-lo aos pais, que ficam perplexos e desconcertados porque nunca se tinham apercebido. Se os pais tentam saber mais, para a poderem ajudar, descobrem que a sua filha já tem uma narrativa perfeitamente decorada:

1. Se não me apoiarem, não me amam;

2. Se não me apoiarem, mato-me;

Então, desesperados, os pais vão ao ‘Dr. Google’ e encontram discursos iguais a estes. Além disso, se forem a um clínico, pediatra ou psicólogo, descobrirão que também eles têm uma perspetiva oficial, e não científica, sobre como tratar e entender esses desconfortos. 

E a maneira ‘oficial’ de os entender é a abordagem afirmativa: ‘Pensas que o és? Sentes sê-lo? Então, é porque o és de facto. Vamos bloquear a puberdade, amputar pénis ou fazer duplas mastectomias e receitar hormonas que tomarás todos os dias da tua vida’.

Ora, desde quando é que os políticos obrigam os médicos a diagnosticar o que o paciente autodetermina, a prescrever medicamentos e a fazer cirurgias de acordo com o autodiagnóstico do paciente e as políticas identitárias cozinhadas, votadas e aprovadas na Assembleia da República?

Professores como ’polícias de género’

As escolas estão cheias de ativistas a darem palestras a crianças muito pequenas. Adultos dizem às crianças que podem ‘libertar-se do sexo que lhes foi atribuído à nascença’ e escolher o sexo que quiserem. Ora, o sexo não é atribuído à nascença – é observado. E tudo o que pode mudar é o exterior, pois o ADN permanece inalterável, e cada célula do nosso corpo é XX ou XY.

O Despacho 7247/2019, Art. 2.º Alínea b) falava em Mecanismos de deteção’. Tipo: olheiros a atuar como polícias do género. O Estado exige aos professores que detetem se algum aluno se comporta de forma incongruente com o seu sexo – e, nesse caso, devem encaminhá-lo para psicólogos afirmativos e associações LGBTetc, a fim de descobrir qual é a sua ‘identidade sexual’.

Casas de banho 

Hoje, neste imenso manicómio a céu aberto, os mesmos que denunciam, e passo a citar, que «os transportes públicos e as instalações relacionadas com os transportes são sítios onde as mulheres estão mais expostas a violência de género, assalto e assédio sexual», defendem acirradamente as casas de banho mistas, onde rapazes e raparigas possam entrar livremente, de acordo com o sexo que autodeterminem ter; pois, imagino eu, para esses ativistas, os homens que atacam as mulheres nos transportes públicos são incapazes de se aproveitar de uma lei que lhes permite entrar na casa de banho das senhoras e abusar delas. Aliás, qual é o idiota do violador que não percebe que é muito mais fácil abusar de uma mulher nos transportes públicos do que numa casa de banho pública? 

E, convenhamos, que lugar melhor para começar a proteger as meninas/mulheres do abuso sexual do que as casas de banho mistas da Escola? 

O projeto de lei, que o PS propõe e vai aprovar, que nada mais é do que um copo paste do Despacho 7247/2019, já foi implementado em várias escolas. Por exemplo, a Escola Secundária José Gomes Ferreira, Benfica, Lisboa, instalou a primeira casa de banho mista há 3 anos (2019). Denunciei isso no meu mural do Facebook e o Polígrafo acusou-me de disseminar fake news. 

Segundo o diretor da escola e o polígrafo: não se travava de uma casa de banho mista, mas sim de «uma casa de banho de porta aberta apenas para os jovens que estão a mudar de sexo e que não se sentem à vontade para ir à casa de banho dos rapazes ou das raparigas». 

Ou seja: uma casa de banho MISTA, onde podem entrar rapazes e raparigas que afirmem estar a mudar de sexo ou que se autodeterminem do outro sexo, ainda que mantenham todas as características sexuais do seu sexo biológico.  

Qual é o papel dos pais?

Com a ideologia de género plenamente implementada nas instituições, o que podem fazer os pais que não se ajoelham à abordagem afirmativa? 

Se Portugal proibir aquilo que os ativistas denominaram como ‘terapias de conversão’, não poderão fazer nada, a não ser aceitar tudo passiva e ativamente, para não perderem a guarda dos filhos. 

É urgente que os pais despertem para isto e denunciem as decisões das escolas, dos ativistas e dos clínicos à Justiça. 

A cultura do cancelamento

Infelizmente, a maior parte dos profissionais de saúde teme as consequências de se posicionar contra a ideologia de género.

Ajudar crianças confusas a identificarem-se com o seu sexo de nascimento não é ser contra pessoas trans, mas sim prevenir arrependimentos futuros e o aumento contínuo de suicídios entre pessoas que já fizeram a transição. Calarem-se, por medo de serem rotulados de transfóbicos, é negar o direito das crianças a serem devidamente acompanhadas e tratadas.

Longe de desconstruir os ‘estereótipos de género’, a ideologia do género eleva-os acima da natureza e da biologia. 

Quando quem nos governa dissemina a ideia de que não se pode saber ao certo o que é um homem e uma mulher, quando os ativistas acusam de transfóbicos os que afirmam que, independentemente de quantos géneros se inventem, no fim resta escolher entre o urologista e o ginecologista… tudo está em causa. 

Uma sociedade LGBTetc. não tem futuro.

Urge que os pais percebam o que está em jogo e se mobilizem no sentido de evitar que os seus filhos continuem a ser cobaias de uma experiência social que os deixará profundamente marcados e amputados para toda a vida. 

Fonte: https://www.plataforma-rn.org/wp-admin/post.php?post=4155&action=edit