Exposição sobre sexo fomenta a sexualidade precoce

Sábado, 11 Dezembro 2010 20:58 Artigos diversos
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A Plataforma Resistência Nacional pediu pareceres a vários técnicos sobre exposição “Sexo…e então?!” que decorre no Pavilhão do Conhecimento e conclui:

- Exposição contém vários erros técnicos 
- Fomenta a sexualidade precoce
- Promove o relacionamento sexual meramente lúdico
- É um abuso de confiança à vida íntima das crianças
- A classificação etária é de rigor duvidoso
- A linguagem usada (textos, imagens, jogos) é agressiva, grotesca por vezes inestética e com carácter científico pouco consistente
- É uma exposição marcadamente moralista

Os pareceres entregues são unânimes num ponto: a exposição fomenta o relacionamento sexual precoce pois apresenta as relações sexuais como actos meramente lúdicos. O sexo reduz-se a uma questão de desejo e de vontade. Destaca-se, como paradigma, a seguinte frase, retirada da exposição: "Faz-se sexo pela primeira vez em idades diferentes, dependendo das pessoas. Independentemente da idade, é quando temos vontade e nos sentimos preparados, e cada um tem o seu ritmo!". Esta é uma abordagem que os técnicos consultados pela Plataforma consideram reducionista - porque restringe a sexualidade humana a um conjunto de impulsos, desejos e alterações hormonais, não abordando nunca a dimensão racional e de compromisso - e perigosa, pelos comportamentos induzidos, numa sociedade frequentemente assinalada pela elevada taxa de gravidez na adolescência.

O sexo é apresentado como mera concretização de impulsos primários o que é uma visão redutora da sexualidade humana”,refere o psiquiatra Pedro Afonso no seu Parecer onde alerta, também, para a duvidosa classificação etária: “ Muitas das matérias versadas, não são adequadas para crianças com 9 anos (a exposição está classificada para crianças e adolescentes 9-14). Não faz sentido falar a crianças de 9 anos sobre o preservativo e a pílula do dia seguinte. Além disso o desenvolvimento emocional da criança nem sempre é coincidente com a idade biológica. Há ainda outra questão: confirmei a presença, no local, de crianças com idades inferiores, o que quer dizer que não há controlo de entradas”, sublinhou.

Os pareceres entregues à Plataforma RN referem também que a exposição contém vários erros técnicos. Os textos, os desenhos, as imagens, os jogos, o tom da exposição em geral é uma linguagem vulgar, agressiva, inestética que raia, por vezes, a pornografia, numa banalização da sexualidade e sua redução à simples genitalidade o que para a sensibilidade das crianças pode ser nocivo, agressivo e abusador. “Chega a usar-se o calão, como é o caso da expressão “linguados”. É muito duvidoso o carácter científico de uma exposição que “entra” na explicação do acto de beijar, numa dissecação meramente anatómica de um impulso que é natural, instintivo e afectivo”, refere o Parecer de Alexandra Chumbo, psicóloga, em Desenvolvimento infantil.

Maria Teresa Ribeiro, Psicóloga, professora universitária, destaca um estereótipo veiculado na exposição: ”No painel com o título “Truques infalíveis para engate” – para além do termo engate…- curiosamente é ele, rapaz quem “engata” a rapariga, ou seja, veicula-se o estereótipo de que é o rapaz quem toma a iniciativa! É um aspecto parcelar mas que revela bem o paradigma de toda a exposição: uma
visão ideológica primária da sexualidade, de mau gosto, mecanicista, em que se banalizam as decisões, pretendendo fazer passar como unânimes valores e formas de olhar que o não são: o sexo desenquadrado das relações; não faz mal os adolescentes terem relações sexuais cedo, desde que usem contraceptivos. É um tipo de abordagem enganadora, que veicula como unânimes atitudes permissivas e ignora que o desejável e saudável é que os adolescentes e jovens não tenham iniciações sexuais precoces
”, escreve a psicóloga.

Luís Costa, médico, doutorado em oncologia, especialista em cancro da mama e chefe do serviço de oncologia do Hospital de Santa Maria, realça, depois de ter visto a exposição: “Parece-me inadequado que o uso dos contraceptivos seja vulgarizado sem que haja qualquer informação sobre o facto de ser um fármaco de prescrição médica e que pode ter contraindicações importantes. Um fármaco que pode estar associado a um maior risco para cancro da mama requer sempre uma avaliação atenta sobre a sua utilização em grupos de maior risco para doença oncológica da mama. De facto a omissão sobre este assunto é estranha e não favorece o interesse dos jovens”.

João Paulo Malta, obstetra/ginecologista diz o seguinte: “Parece-me no mínimo irresponsável que o uso dos contraceptivos seja vulgarizado com esta leveza… como se fossem aspirinas! Não há qualquer referência à declaração da Organização Mundial de Saúde que alerta para o facto de os contraceptivos hormonais combinados serem cancerígenos para os seres humanos. Numa iniciativa que se assume como educativa dirigida a um público jovem esta omissão é muito grave”.
A Plataforma Resistência Nacional considera que esta exposição é moralista no mau sentido, porque transmite uma ideologia permissiva, uma moral acéfala, que separa a educação sexual da cultura, das relações, do compromisso, dos princípios e valores educacionais transmitidos de pais para filhos.

Consideramos ainda que é uma iniciativa obsoleta, característica de um Estado totalitário, intromissivo, que quer dominar até a esfera mais íntima das relações pessoais e familiares com a particular gravidade de ter graves erros técnicos.