Católicos envergonhados!

Católicos envergonhados!

Para além de achar estranho que não se defenda a Liberdade de Educação, acho ainda mais estranho que haja quem defenda Liberdade de Opinião em todas as matérias, mas se sinta chocado com o apoio expresso por um bispo a uma causa que lhe pareceu justa.

Católicos envergonhados com posição de Patriarca de Lisboa. Este seria um possível título de notícia que eu poderia adotar nos tempos em que era jornalista. É verdade, parece que ainda há católicos com vergonha, imaginem! Pelo menos é o que dizem numa carta enviada ao Patriarca de Lisboa.
A missiva dizia o seguinte: «Queremos dizer, com a franqueza de cristãos que é devida aos nossos bispos, que o vosso apoio subscrevendo e associando-se ao manifesto ‘Em defesa das Liberdades de Educação’ contra a obrigatoriedade das aulas de ‘Educação para a Cidadania e Desenvolvimento’ no ensino básico nos dececionou e desgostou muitíssimo. Melhor dizendo, envergonhou-nos! – enquanto cidadãos, cristãos e católicos».
Os signatários? Não irei nomeá-los, porque, parece, foram alguns… católicos. O que me intrigou foi mesmo o conteúdo deste parágrafo. 

A história é a seguinte: o Patriarca de Lisboa e mais uma série de personalidades assinaram uma petição ‘Em defesa das Liberdades de Educação’, mas parece que há alguns católicos que não querem que haja liberdade de educação. Ou pelo menos ficaram chocados por verem que o Patriarca de Lisboa defende que os pais tenham liberdade para educar os seus filhos, longe de certas ideologias sociais.
Isto é realmente estranho, primeiro, porque este grupo de católicos costuma ter sempre na sua bandeira principal a questão da liberdade. É estranho, porque se não reconhecemos aos pais a responsabilidade na educação dos filhos ou ao menos não lhes damos o direito de ‘objeção de consciência’, parece-me isto vai contra a doutrina do Concílio Vaticano II. 
Para além de achar estranho que não se defenda a Liberdade de Educação, acho ainda mais estranho que haja quem defenda Liberdade de Opinião em todas as matérias, mas se sinta chocado com o apoio expresso por um bispo a uma causa que lhe pareceu justa.
Isto é, não se trata apenas de um grupo de católicos que não apoiam a Liberdade de Educação, no que diz respeito à disciplina de ‘Educação para a Cidadania e Desenvolvimento’, como também se mostrou um grupo que é contra a Liberdade de Opinião expressa por um bispo.
Isto é que é grande perigo de um certo entendimento de Liberdade, porque um certo setor da sociedade pode expressar a sua opinião e escolher livremente a educação que pretende dar aos seus filhos, mas esse mesmo direito é retirado a outro setor da sociedade.

Tudo isto ainda me deixa ainda mais intrigado… sim… intrigado, mas não chocado… porque já vi tantas coisas na vida.
O que me deixa realmente intrigado é que haja católicos que escrevam ao Patriarca de Lisboa por ter apoiado uma determinada causa que, no seu discernimento, lhe pareceu justa. 
Deixa-me realmente intrigado porque não tenho visto nenhuma carta dirigida ao Patriarca de Lisboa cujo conteúdo esteja ligado à pobreza ou à ecologia. Ou será que o interesse por esta disciplina é maior do que o amor aos pobres ou à natureza – agora que o Papa tem falado tanto nestes dois assuntos?
É de maior importância que tenhamos como certo que as liberdades que queremos para nós, também as devemos querer para os outros. Eu também penso que estes católicos, como todos os católicos, têm de ser ouvidos e de poder expressar as suas opiniões de forma livre. Com maior razão, gostaria também de ver o mesmo empenho na defesa de outras causas com que a igreja todos os dias se vê confrontada através das suas instituições de caridade.